No inverno mineiro
A vida queima indefesa
No cerrado em flor.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Rapunzel em nova versão
Era uma vez um sítio chamado Sítio do Pica-pau amarelo. Lá ficava um lindo castelo de onde todos os dias, Rapunzel, ao acordar, jogava suas longas tranças pela janela para que seus amiguinhos pudessem entrar e tomar o café da manhã com ela.
Ao som dos músicos de Bremen a algazarra estava formada, junto com uma fila interminável a subir por aquela trança-escada ( devo dizer que o castelo não tinha portas e este era o único meio de entrar e sair - só Rapunzel não podia, pois quem serviria de trança para ela subir e descer?)?
Mas mesmo assim era uma festa ver o Gato de Botas todo faceiro, o tristonho patinho feio a se esconder atrás do fogão, Peter pan e sininho brincando de esconder (estes, como podiam voar não usavam as tranças). A Branca de neve sempre ia, mas recusava todas as maçãs que eram servidas, e os anões entoavam coro enquanto esperavam pelas guloseimas.
D. Benta e tia Anastácia, apressadas na cozinha, preparavam os quitutes enquanto o Visconde de Sabugosa planejava com o Rabicó uma maneira de tirar Rapunzel do castelo onde vivia presa.
E todo dia a cena se repetia.
Quem a teria colocado ali, a exercer esta função de escada, se perguntavam os visitantes do castelo.
- Acho que foi a madrasta, dizia a Gata Borralheira, para que não se casasse com o príncipe. Só queria que ela trabalhasse de escada.
- - Acho que foi o lobo mau, dizia outro, para que ela não fosse dar passeios na floresta com sua amiga Chapeuzinho vermelho.
- Ora, certamente foi o Capitão Gancho, dizia Wendy, aquele malvado queria vê-la presa enquanto velejava pelos sete mares pilhando outros navios.
- Talvez algum dos três porquinhos, aquele mais atrapalhado, que construiu o castelo e não colocou porta para o lobo não ter onde bater.
E assim os dias se passavam e Rapunzel, que no início era só alegria ao receber seus amiguinhos, foi ficando triste e pensativa, Queria ela mesma conhecer o mundo do qual só tinha notícias pelo que contavam no café da manhã. Era assim como um jornal falado ao amanhecer.
Seus amiguinhos, comandados pelo Visconde de Sabogosa se mobilizavam para criar estratégias para tirá-la dali.
- Quem sabe plantamos um pé de feijão que possa trepar pelas paredes e servir para a escalada, se perguntava o Joãozinho.
- Vamos jogar nela o pó de Pirlimpimpim, dizia Peter pan, aí ela poderá voar.
- Melhor seria trazer um príncipe de terras distantes que a tomasse nos braços e a levasse daqui, suspirava Branca de Neve, Ele resolveria o problema, pois para isto são feitos os príncipes, emendava.
- Até o Gato de Botas pensou em emprestar-lhe as botas, que facilitariam o pulo, mas era uma solução provisória. E depois, botas, pulos e aquela trança enorme não combinavam, ia embolar tudo.
Até soluções mais práticas e menos fantasiosas foram aventadas:
- Vamos furar um buraco no castelo para servir de entrada e saída. É mais prático, diziam uns.
- Acho melhor construirmos uma escada de madeira e colocar na janela, diziam outros.
As fadas do reino solidárias, mas sem grandes ideias de salvação lhe deram um tear para que ela pudesse se distrair nas horas vagas e quem sabe tramar alguma coisa.
E assim, Rapunzel passava os dias, a encontrar seus amigos no café da manhã e a tecer nas outras horas. Até que um dia, inadvertidamente, espetou o dedo no fuso do tear e, ao contrário da Bela Adormecida, isto serviu para acordá-la.Ao ver o sangue jorrando e aquela dorzinha ardida, ela se perguntou:- mas o que me prende a este castelo? Como posso sair daqui?
E Rapunzel percebeu que o que a prendia àquele castelo eram, justamente, suas tranças. Cortou-as. Que alívio. Estava agora mais leve, os cabelos curtos e soltos.Pegou suas tranças, amarrou-as na janela e foi descendo por elas. Saltitou pelo jardim, dançou, rodopiou e se alegrou. Tomou emprestada a carruagem da Cinderela e saiu dirigindo para tomar seu café da manhã na padaria da esquina
E aquele foi um momento feliz para sempre.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
IPê
Chegou e partiu com os ipês amarelos
Nos meses de julho e agosto.
Chegou e partiu como os ipês amarelos
Em floradas intensas, belas, efêmeras.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Dados e casos
“Se não lanças o dado, não há acaso a ser provocado!” Mariana pensava no que ele havia dito, seu professor de filosofia esotérica, quando pegou o carro e saiu de casa apressada para dar uma chance ao acaso.
No sinal fechado olhou para o lado, primeiro lance de dados. Sorriu para as crianças do carro ao lado que responderam com caretas: botou língua para elas também O pai das crianças olhou enfurecido e ralhou com as crianças. Do outro lado o poodle tosado quase despencava janela afora, latindo e se exibindo. A madame falava qualquer coisa ao celular.
O por do sol avermelhado cobria o horizonte enquanto os poucos pássaros procuravam abrigo para a noite nos ipês rosas que floresciam em cachos..
Na faixa de pedestres duas senhoras idosas passavam de braços dados e passos curtos, o cadeirante se esforçava para acertar o meio fio rebaixado, o careca de pasta de couro olhava de soslaio para a moça de salto alto e mini saia.
Mariana observava distraída os acontecimentos. Sentiu a respiração ofegante de alguém perto da janela de seu carro. Um cheiro quente e ácido invadiu o ambiente. Dedos finos e unhas sujas seguravam o vidro da janela. Ela ouviu:
- passa a bolsa ou eu te furo!
Com movimentos tensos e controlados Mariana passou a bolsa olhando sempre em frente.
O sinal abriu. Mariana arrancou. Suas pernas tremiam. Parou o carro numa vaga, fechou os vidros, recostou a cabeça, cerrou os olhos e chorou.
Mais um dado a acrescentar às estatísticas policiais e um (a)caso triste.
domingo, 19 de junho de 2011
terça-feira, 7 de junho de 2011
Linguagens
Com um ponto crio um conto.
Com uma reta sou poeta.
Ele arquiteta.
Traça casas,
Mil projetos.
Eu, sonetos.
Nós, pretextos.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Incompletamente só
Ah, meus pobres olhos cansaram de olhar o mundo como olhos solitários!
Querem, agora, um par de olhos para fazer par com meus olhos.
Viajar, vagar, admirar!
Depois encontrar, olhos nos olhos,
E adormecer ao fechar.
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